Dev PJ: Por que usar CNAE de errado pode destruir sua carreira
Muitos DEV PJ usam CNAEs incorretos para fugir do Anexo V, mas correm riscos fiscais graves. Descubra como o Fator R permite pagar a menor alíquota (6%) legalmente com o CNAE de desenvolvedor
Estevão Nascimento Silva
1/26/20263 min read


Você já ouviu aquele conselho de "amigo" em grupos de tecnologia: "Ah, coloca o CNAE de Suporte Técnico ou Digitação que o imposto é menor".
Parece uma "hack" inofensivo para pagar menos impostos, certo? Errado.
No mercado de TI, onde a contratação PJ (Pessoa Jurídica) se tornou o padrão, existe uma bomba relógio fiscal armada em milhares de contratos: o desvio de função na Nota Fiscal.
Neste artigo, vou explicar por que mentir no CNAE (Código Nacional de Atividade Econômica) é um risco desnecessário e como você pode pagar a menor alíquota possível (6%) fazendo tudo exatamente como a lei manda.
O Problema: A armadilha do Anexo V vs. Anexo III
Para entender por que tantos devs mentem na nota, precisamos olhar para os números do Simples Nacional.
A atividade de Desenvolvimento de Software (CNAE 6201-5/01, por exemplo) nasceu enquadrada no Anexo V, cuja tributação começa em pesados 15,5%.
Já atividades como Suporte Técnico, Manutenção e Reparação (CNAE 6209-1/00) estão no Anexo III, que começa em suaves 6%.
A tentação é óbvia. O desenvolvedor abre o CNPJ, escolhe o código de "Suporte", mas no dia a dia entrega código complexo, arquitetura de software e soluções que nada têm a ver com consertar computadores ou instalar impressoras.
Por que isso é perigoso?
Aqui é onde a "economia" vira prejuízo.
1. Risco de "Malha Fina" e Multas Retroativas
A Receita Federal possui sistemas de cruzamento de dados cada vez mais sofisticados. Se a descrição da sua nota fiscal diz "Desenvolvimento Full Stack Sênior" mas o código da atividade diz "Suporte Técnico", o alerta vermelho acende. Se autuado, você pode ser obrigado a pagar a diferença de imposto de todos os meses anteriores, com juros e uma multa que pode chegar a 75% ou 150% do valor devido.
2. O Olhar do Recrutador e o Compliance
Grandes empresas e tech recruiters estão cada vez mais atentos ao Compliance. Contratar um PJ que emite nota fiscal com atividade divergente gera um risco subsidiário para a empresa contratante. Muitas empresas internacionais ou corporações sérias no Brasil reprovam candidatos na fase de documentação ao perceberem que o CNAE não bate com o escopo do contrato. Ter a contabilidade em dia virou diferencial competitivo na hora da contratação.
A Solução Legal: Como usar o CNAE certo e pagar apenas 6%
A boa notícia é que você não precisa mentir para pagar menos. O governo criou um mecanismo chamado Fator R.
O Fator R é uma regra que permite que empresas do Anexo V (Desenvolvimento) sejam tributadas pelas alíquotas do Anexo III (6%), desde que sua folha de pagamento seja igual ou superior a 28% do faturamento.
"Mas eu sou PJ, eu não tenho funcionários!"
É aí que entra a estratégia contábil. A sua "folha de pagamento" inclui o seu Pró-Labore (o salário que você paga a si mesmo como sócio e sobre o qual contribui para o INSS).
A conta mágica (Exemplo Prático):
Imagine que você fatura R$ 10.000,00 por mês.
Se você não usar o Fator R (Anexo V): Paga cerca de R$ 1.550,00 de imposto.
Se você ajustar seu Pró-Labore para R$ 2.800,00 (28% de 10k): Você migra para o Anexo III e paga R$ 600,00 de DAS.
Mesmo pagando o INSS sobre o Pró-Labore (aproximadamente R$ 308,00), a economia final é gigante e, o mais importante: seu negócio estará 100% blindado contra a fiscalização.
Conclusão
Não coloque sua carreira internacional ou seus contratos em risco por causa de um código na nota fiscal. O "jeitinho" sai caro. A inteligência tributária coloca dinheiro no seu bolso com segurança.
Se você quer auditar se o seu CNAE atual está colocando seu patrimônio em risco, ou se quer estruturar o Fator R para o próximo mês, entre em contato. Vamos resolver o "backend" da sua empresa para você focar no código.
